Ao longo do monólogo inicial da peça Farsa de
Inês Pereira de Gil Vicente, a protagonista revela-se, sobretudo, revoltada
com a vida que leva.
"Renego deste lavrar" é a primeira
afirmação da personagem, mostrando, desde logo, o cansaço, a frustração e a irritação
que sente face ao trabalho que lhe é exigido pela mãe. Inês considera-se
injustiçada pelo facto de estar "encerrada nesta casa" enquanto
"todas folgam e [ela] não", demonstrando, talvez, um pouco de inveja
da vida alheia.
A angústia e desespero, provenientes da falta de
liberdade, fazem-na sentir-se aprisionada mesmo por que só raramente tem
"licença" para estar "à janela", sendo este o seu único
contacto com o exterior. Em resultado deste estado de espírito, Inês determina
que há de "buscar maneira d'algum outro aviamento", mostrando a sua
vontade de mudar de vida.
Em suma, as adversidades vividas pela personagem
originam uma revolta interior que leva à ambição de casar.
10º1A (2015-2016)
O estado
de espírito apresentado por Inês no monólogo inicial é caracterizado,
essencialmente, pela frustração sentida pela personagem.
A protagonista mostra-se aborrecida e entediada devido à
tarefa que estava a realizar, por isso afirma “renego deste lavrar”. Pelo facto
de ser obrigada a cumprir estes deveres exigidos pela mãe, fica inibida de sair
de casa, causando-lhe sentimentos de angústia, desespero, tristeza e revolta,
já que se considera “cativa” de toda aquela situação. Consequentemente,
sente-se injustiçada, na medida em que, segundo a sua opinião, as outras moças
da sua idade “folgam, e [ela] não”, ou seja, ela questiona que “pecado é o
[seu]” para não ter direito a uma vida social como as outras. Perante este
cenário/esta situação, ela está decidida a tomar uma atitude por forma a mudar
de vida.
Em suma, o sentimento de injustiça e revolta apoderam-se
da rapariga, sendo, assim, necessário “buscar maneira/d’algum outro aviamento”.
10º2A
(2015-2016)
Inês Pereira é uma moça casadoira que se encontra em
“cativeiro”, sendo esta a razão para o seu desespero e saturação.
A personagem sente-se irritada e cansada porque é
obrigada pela mãe a ficar em casa a costurar, por isso afirma “Renego deste
lavrar”. Assim, ela considera-se injustiçada, o que a leva à manifestação de
uma revolta interior, devido à situação em que vive, já que, segundo a sua
opinião, as outras raparigas “folgam” e ela não. Desta forma, a sua vida de
clausura e de trabalho causam-lhe desespero e um sentimento de inutilidade,
afirmando que “esta vida é mais que morta”. Imbuída deste estado de espírito,
Inês decide que tem “de buscar maneira/d’algum outro aviamento”, ou seja,
mostra determinação em resolver a sua vida, sendo que essa solução será o
casamento.
Concluindo, o desespero da protagonista resulta numa
revolta em busca da liberdade.
10º2/3 (2015-2016)
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