segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Ebooks

1. Biblioteca Digital Camões

Colecção de obras integrais, para leitura gratuita, sem necessidade de registos ou subscrição, em temas como Literatura, História, Arquitectura, Música, Arte, Língua, etc.Em pdf e em formatos para dispositivos móveis.
2. Biblioteca de Livros Digitais
Pequena biblioteca de títulos infantis da responsabilidade do Plano Nacional de Leitura. Não permite o download, mas apenas a leitura no ecrã do dispositivo usado para aceder.
3. Biblioteca Nacional Digital
Livros de domínio público digitalizados pela Biblioteca Nacional de Portugal.
4. Domínio público
Milhares de livros em domínio público, em formato pdf, da responsabilidade do Ministério da Educação do Brasil.
5. Europeana – Biblioteca Digital Europeia
A Biblioteca Digital Europeia é da responsabilidade de diversas instituições europeias, entre as quais a Biblioteca Nacional de Portugal.
6. Virtual books
Portal brasileiro com centenas de livros em português.
7. Google books
Consulta de livros on-line. Se o livro não estiver protegido por direitos de autor ou se a editora tiver dado autorização para o efeito, poderá ver-se uma pré-visualização do livro e, nalguns casos, o texto integral. Se for de domínio público, poderá transferir-se livremente uma cópia em formato PDF.
8. Projecto Gutenberg
Centenas de livros de autores portugueses em domínio público, incluído no mais vasto Projecto Gutenberg.

Retirado daqui.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Poemas dispersos - Florbela Espanca (2 poemas)

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz! 
 

Poemas dispersos - Sophia de Mello Breyner (3 poemas)

As Pessoas Sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas


O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra


«Ganharás o pão com o suor do teu rosto»
Assim nos foi imposto
E não:
«Com o suor dos outros ganharás o pão»


Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito


Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem


Poemas dispersos - Valter Hugo Mãe (2 poemas)

o homem que já não sou  

não me olhes agora que estou
mais velho e não correspondo em
nada ao homem que
amaste, procura encarar a tristeza
sem me incluíres, seria demasiado
cruel que me usasses para a
dor. para ti
quis trazer as coisas mais belas
e em tudo o que fiz pus o
cuidado meticuloso de quem
ama. não me obrigues a cortar os
pulsos quando fores num minuto ao
jardim com o cão

esta noite, sem notares, sustive a
respiração e quase morri. não deste
por nada. julgaste que voltei a
ressonar e até terás esboçado um
sorriso. e se eu pudesse morrer
enquanto sorris, pergunto

deixo para depois, ou talvez
desista. mas não pode ser se
tu me olhares em busca de tudo o que
já não existe. não pode ser, levo a
faca maior para debaixo do meu
travesseiro, juro-te que me
mato se continuares assim



Poemas dispersos - José Luís Peixoto (3 poemas)

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.




Poemas dispersos - Manuel Bandeira (2 poemas)

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
 

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
 

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis


Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
 

De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.


Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare


- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.